segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ensaio: marido fotografa mulher grávida de lingerie pelas ruas de BH

O fotógrafo Alexandre Périgo e sua mulher Paola, atriz e cantora, resolveram “desafiar o machismo de Belo Horizonte”. Para tanto, Alexandre fez um ensaio em que Paola, grávida de quase nove meses, caminha por ruas da cidade de lingerie. (Numa foto específica, ela está nua.)

As reações das pessoas foram registradas por Alexandre, que autorizou a publicação das fotos ao DCM.
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Hoje fizemos um ensaio fotográfico, eu e mamãe Paola, ensaio este que foge completamente dos clichês habituais que assolam as fotos de gestantes: luz do sol estourada, poses “fofinhas” no meio do mato, olhares abestalhados para o infinito, sorrisinhos sonsos, papai beijando e mamãe segurando o barrigão, sapatinhos de bebê entre o casal e afins.
Posto agora, em homenagem ao Leonardo, nosso futuro meninão, a foto mais emblemática do trabalho: em um galpão abandonado o livro de Darwin “A Origem das Espécies” no alto e Paola, com seu barrigão, empurrando um carrinho hidráulico com um par de sapatos de menino, numa metáfora sobre peso da responsabilidade de se criar um filho.
Porque ser pai de duas crianças não é dividir o coração entre ambos; é passar a ter dois no peito!
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Hoje colocamos à prova o conservadorismo dos moradores e frequentadores de um dos bairros mais tradicionais e abastados de Beagá.
Paola desfilou seu barrigão pelas ruas mais movimentadas de Lourdes trajando apenas uma sexy lingerie, liga e salto alto.
E as mesmas pessoas que acham normal crianças nas ruas passando fome a pedir dinheiro reagiram indignadas por conta de uma gestante com pouca roupa, como se tivéssemos todos nascidos vestidos de escafandro.
O machismo ficou escancarado nos olhares e comentários masculinos e também na reprovação de muitas mulheres.
Mas nada disso importa; o que interessa é empoderar as mulheres, gestantes ou não, e mostrar a beleza advinda dessa força vital feminina.
Porque a vida é curta e preciosa demais pra gastarmos tempo a alimentar preconceitos.
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Em um mundo de merda, nascer é um ato revolucionário!
Mandando o machismo e sua consequente “fragilidade das gestantes” pra bem longe – e por telefone, porque sem tempo de visitinhas, temos um mundo todo pra mudar!

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E por onde Paola desfilava sua coragem, seu poder, sua beleza e seu barrigão de quase 9 meses de gestação os olhares conservadores não davam trégua, seguidamente a nos condenar, num misto de receio e repúdio.
À surpresa muitos somavam um sorrisinho machista e dizeres do tipo “pode dizer que o filho é meu!”, como se assédio fosse elogio e pouca roupa fosse passaporte com visto para cantadas idiotas e indesejadas.
Outros fotografavam com seus celulares, como se uma gestante trajando pouca roupa equivalesse à aparição de um OVNI.
Todavia isso tudo só nos incentivou a seguir adiante com o ensaio.
Porque contra o preconceito, o machismo, a intolerância e o conservadorismo com os quais as ruas do bairro de Lourdes em Beagá nos receberam, nossas armas foram poucas mas muito potentes: amor e respeito às mulheres através de atitudes e de imagens.

Para ler a matéria completa, clique aqui:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/ensaio-marido-fotografa-mulher-gravida-de-lingerie-pelas-ruas-de-bh/

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br


Famílias Contemporâneas - As Voltas que o Mundo dá e o Reconhecimento Jurídico da Homoparentalidade

Este livro, considerando a pluralidade de entidades familiares, dá ênfase à homoparentalidade que, como uma designação de família composta por homossexuais com filhos(as), torna-se um novo paradigma de família pós-convencional que, desassociando reprodução de filiação, ressalta a socioafetividade, o que se coaduna com a emancipação sexual e a democratização familiar. No seu desenrolar, a família é refletida à luz da teoria de gênero. Aborda-se sobre a homofobia, o heterossexismo, a interiorização da dominação simbólica, a politização do privado e a cidadania. Verifica-se como as repercussões da família homoparental transparecem na mídia, ajudando a colocar questões na agenda política. Relacionam-se os Projetos de Lei e as Leis pertinentes às reivindicações do movimento LGBTTT. Ao tratar da judicialização da política e das relações sociais, analisam-se as sentenças e acórdãos referentes à adoção por casal homoafetivo, salientando a judicialização de sentimentos e o reconhecimento jurídico que tais decisões têm propiciado. Demonstra-se, por fim, as vivências homoafetivas e homoparentais que evidenciam os novos sentidos e formas de compreensão da família, assim como a sentimentalização de conceitos e a funcionalização da parentalidade.



sexta-feira, 10 de abril de 2015

Primeiro homem a se apresentar em um dueto misto de nado sincronizado

Oleksandra Sabada e  Anton Timofeyev, ucrânia, nado sincronizado (Foto: Satiro Sodre/SSPress)
Em meio a um batalhão de mulheres havia um único homem. De maiô assim como as demais atletas, Anton Timofeyev recebeu um assédio ao qual não está acostumado. Todos queriam tirar fotos com aquele que seria o primeiro a se apresentar em um dueto misto de nado sincronizado no Brasil. Na piscina do Parque Aquático Maria Lenk, nesta sexta-feira, o ucraniano executou a coreografia em parceria com Oleksandra Sabada e deu o que considera mais um importante passo para reduzir o preconceito em torno da participação masculina no esporte.
Em novembro de 2014 a Federação Internacional de Natação (Fina) aprovou a inclusão de homens nas provas de nado sincronizado, esporte até então restrito às mulheres. A modalidade estreará em Mundiais em Kazan, na Rússia, em agosto, e Anton será o representante de seu país na competição.
O ucraniano tinha 12 anos quando começou a treinar natação com a equipe de nado sincronizado da qual sua irmã Mariya fazia parte. Um dia foi chamado para treinar também os elementos técnicos da modalidade. Com bom desempenho, passou a se apresentar em demonstrações no início ou no intervalo de competições.
Nos seis anos em que praticou regularmente – fez uma pausa de outros sete anos até voltar recentemente -, Anton sofreu muito preconceito. Mas em vez de se importar por fazer o que chamavam de ''esporte de menina'', ele preferiu focar em seu desenvolvimento como atleta. Agora defenderá seu país em um Mundial de esportes aquáticos com a torcida especial da esposa Helena Ved, com quem é casado há três anos.
Oleksandra Sabada e  Anton Timofeyev, ucrânia, nado sincronizado (Foto: Satiro Sodre/SSPress)
- Comecei a treinar só pela saúde, mas comecei a treinar os elementos e consegui alguns resultados. Havia preconceito, mas sou um homem forte. Eu faço o que acho que é bom para mim. Tenho uma meta e a persigo. O que os outros falam ou pensam não me importa. Eu sou homem, gosto de mulheres, tenho uma esposa e vou ter filhos. Ela (esposa) me apoia.
A presença de Anton no espaço de competição chamou atenção até do presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, que posou em uma foto ao lado do estrangeiro. Para Anton, a abordagem de tantas pessoas foi surpreendente.
- Muita, muita gente veio falar comigo. Tanto da imprensa quanto participantes de outros países. Foi curioso. Não sou celebridade. Sou um atleta comum.
Integrante do dueto olímpico brasileiro, Maria Eduarda Micucci aprovou a participação do dueto misto ucraniano na quarta edição do Synchro Open. Para a atleta, a decisão da Fina será importante para tornar o esporte ainda mais popular junto ao público.
- É uma novidade no nado sincronizado. É muito bom estar evoluindo no esporte, é algo criativo. A gente ficou encantada. É muito bom para o esporte crescer.
Se Anton apenas se apresentou com Aleksandra Sabada sem compromisso com notas, os duetos femininos competiram na rotina técnica nesta manhã. As espanholas Paula Klamburg e Ona Carbonell, com 88.4892 pontos, lideraram a disputa, seguidas pelas ucranianas Lolita Ananasova e Anna Voloshyna e as chinesas Qianiy e Liuyi Wang. As brasileiras Luisa Borges e Maria Eduarda Miccuci ficaram em quarto, com 81.0087 pontos.

Fonte: http://www.globoesporte.globo.com/


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Divórcio à brasileira

A evolução do divórcio, um direito conquistado pelas mulheres

Antes da aprovação da lei do divórcio - ou emenda Nelson Carneiro - em 1977, com exceção de filho morto, não havia desgraça maior para uma mulher do que ser desquitada, prato cheio para Nelson Rodrigues e mexeriqueiros de plantão. Quando se tocava no assunto, geralmente era em voz baixa e bem longe das crianças. Socialmente, a mulher separada era mal vista, tida como péssima companhia, culpada por não ter conseguido segurar o matrimônio. As "bem casadas" a tinham como uma inimiga mortal, uma desfrutável prestes a dar o bote em seus maridos. E os homens a viam como uma espécie de disponibilidade erótica, sempre à mão.
O tema era espinhoso até mesmo na ficção. Novelas e seriados passavam pelo crivo da censura imposta pela ditadura. O autor Lauro César Muniz, autor das novelas Escalada, de 1975, e O Casarão, de 1976, lembra que os capítulos eram escritos, gravados e seguiam para Brasília, onde sofriam cortes que deixavam a história sem pé nem cabeça. "Em O Casarão, tem uma cena forte, na qual a personagem Carolina (Renata Sorrah) leva um tapa do marido Estevão (Armando Bogus), colocando um ponto final no casamento infeliz dos dois. A cena foi cortada e a seqüência ficou sem sentido." Também o uso de anticoncepcionais pela personagem, sinalizando a emancipação feminina, foi vetado pela censura.
Em Escalada, ambientada nos anos 40, 50 e 60, a questão do divórcio, levantada pela crise conjugal de Antonio Dias (Tarcísio Meira) e Cândida (Suzana Vieira), foi de tal modo aprofundada na novela que abriu espaço para debates na sociedade sobre a questão. "Na época, cheguei a trocar idéias com Nelson Carneiro, que achava positivo levar o assunto ao público por meio da mídia." Hoje, brinca Lauro César Muniz, as reprises das novelas, que há 30 anos causaram tanta polêmica, são transmitidas às 2 da tarde.

MALU MULHER
Outro caso foi a novela Despedida de Casado, de 1975, que abordava a falência de um casamento. Depois de ter os 20 primeiros capítulos liberados, a novela foi totalmente vetada, sob a alegação de que o texto de Walter George Durst pregava a dissolução do matrimônio. Segundo a atriz Regina Duarte, que integrava o elenco, a novela foi censurada uma semana antes de ir ao ar e a emissora teve de colocar um compacto no lugar. "Na época, houve manifestações, e uma representação formada por artistas e pela imprensa foi até Brasília."
Mas coube ao seriado Malu Mulher, de 1979 - exibido por 52 canais de televisão, em diversos países, conquistando vários prêmios nacionais e internacionais - o papel de registrar as mudanças ocorridas na sociedade e nas relações familiares. "Na época, eu estava recém-separada e essa era a problemática de várias mulheres. O número de separações tinha aumentado muito em 1977, e chamou a atenção do diretor Daniel Filho", comenta Regina Duarte.
A socióloga Malu, lembra a atriz, abordava temas considerados tabus, como orgasmo, aborto, câncer de mama e a importância do auto-exame. O seriado provocou reações. "As mulheres sempre gostavam, enquanto que os homens se sentiam ameaçados. Na ponte aérea, um homem me disse que não deixava a mulher assistir ao seriado por considerá-lo subversivo."
Apesar de, na época, ter sido presença sempre solicitada em debates e discussões sobre gênero, Regina faz questão de frisar que, como mulher e atriz, não militou por causas feministas. "Não concordava ipsis literis com os movimentos, muitos deles agressivos, de mulheres que depositavam nos homens as suas amarguras." Uma exceção foi sua participação em prol da criação da Delegacia da Mulher, "filhote daquele período e um recurso de apoio à mulher e à defesa dos direitos humanos."
Saltando da TV para a música, na opinião do crítico, ensaísta, compositor, intérprete e pianista José Miguel Wisnik, Chico Buarque é quem melhor canta a separação:
- Até os anos 60, prevalecia a idéia de que o casamento era indissolúvel. Os acontecimentos dessa década deram uma sacudida, precedendo às mudanças que ocorreriam nas relações durante os anos 70. Chico captou o momento, como nas músicas Trocando em Miúdos, de 78, e Atrás da Porta, de 72. Em Olhos nos Olhos, de 76, Chico fala da separação do ponto de vista feminino, como nos versos Quando você me quiser rever/Já vai me encontrar refeita, pode crer/Olhos nos olhos/Quero ver o que você faz/Ao sentir que sem você eu passo bem demais.

QUEBRANDO TABUS
A cantora Inezita Barroso, de 82 anos, rompeu com dois tabus. Seguiu a carreira artística, contrariando a conservadora família dos Aranha de Lima, e tomou a corajosa decisão de desquitar-se depois de oito anos de casada. "Quando dei a notícia para a família, durante um almoço, no qual estava a minha avó e até um bispo, foi um desbunde !"
Com personalidade forte e determinada, ela conta que, desde mocinha, já gostava de cantar e tocar viola caipira, numa época em que o piano era o instrumento oficial das meninas. A música só foi se tornar uma atividade profissional para a jovem Inês no final da década de 1940, durante uma visita a Recife, onde conheceu o coco, a embolada, o baião, o xote e tantos outros ritmos nordestinos.
Em1947, aos 22 anos, ela casou-se com o advogado Adolfo Cabral Barroso, grande incentivador de sua carreira. "Adotei o sobrenome da família dele e, a pedido do meu sogro, o mantive mesmo depois da separação." Mãe de uma única filha, Marta Barroso Macedo Leme, a cantora já era independente financeiramente. Nunca mais se casou.

PRIMEIRA DIVORCIADA
Em janeiro de 1978, em apenas quatro linhas, o juiz Wilson Santiago Mesquita de Mello restituiu a liberdade conjugal à advogada Arethuza Aguiar, a primeira divorciada do País. Foi tudo simples e rápido, visto que ela estava desquitada havia oito anos. Arethuza conhecia o advogado e político Nelson Carneiro (falecido em 1996), e relembra uma passagem. "Ele brincava, dizendo que a aluna havia superado o mestre. Um cliente dele queria se divorciar assim que saiu a lei. Mas o juiz não foi tão diligente no caso dele, e o meu processo saiu primeiro." Com duas filhas, de 5 e 3 anos na época do desquite, Arethuza diz que teve medo da reação das meninas:
- Mas conversamos muito e elas entenderam que quem se separou foi o homem da mulher e vice-versa, e não os pais das filhas. No fim, lidaram bem com a situação, tanto que no colégio diziam que tinham uma mãe histórica. Hoje uma é médica e está com 43 anos, e a outra, de 40, é advogada.
Para Arethuza, a lei do divórcio foi um marco. "Com o desquite, o casal não morava junto, mas o vínculo permanecia, já que não era permitido se casar novamente." A advogada virou juíza de paz e celebrou muitos casamentos. Casou-se uma vez, não deu certo e, hoje, se dedica à carreira e à família.

EVOLUÇÃO
Com a Lei 11.441/07, em vigor desde janeiro deste ano, as separações amigáveis e sem filhos menores podem ser feitas nos cartórios. Segundo o advogado Cassio Namur, do escritório Souza, Cescon, Avedissian, Barrie e Flesch, além de ajudar a desafogar o Judiciário, a lei traz benefícios, como amortização dos custos e rapidez.
Antes, as separações e divórcios só podiam ser realizados por juízes das Varas de Família e Sucessão, e o processo levava meses. No cartório, em questão de horas o casal sai divorciado. "Mas é preciso ser consensual e sem filhos pequenos ou incapazes. Isso ocorre porque o legislador entende que é necessária uma tutela do Estado para salvaguardar os direitos das crianças." A presença do advogado continua sendo obrigatória, e este profissional pode ser o mesmo para o casal. "Como não há juiz nem promotor, a exigência de um advogado justifica-se para esclarecer e orientar as partes." A divisão do patrimônio pode ser feita na hora ou postergada.
Segundo Namur, quem estiver com o processo de divórcio correndo no Judiciário pode optar por fazê-lo no cartório, e vice-versa. Ainda, o divórcio pode ser feito por procuração, caso um dos dois more em outro Estado e não possa comparecer. E, como curiosidade, quem se divorciar no cartório passa a ter um "novo" estado civil, ou seja, divorciado extrajudicialmente.
Segundo Paulo Vampré, presidente da seção São Paulo do Colégio Notorial do Brasil e dono do 14º Tabelião e Cartório de Notas da Capital, em Pinheiros, a procura pela realização do divórcio em cartórios vem aumentando mês a mês. "A rapidez é a maior vantagem para os casais, principalmente para aqueles que já estavam separados de fato e que constituíram nova família." Foi no cartório de Vampré que foi realizado o primeiro divórcio do Estado de São Paulo. "Ela é manicure e ele, vigia, e estavam separados há dois anos. Ele, inclusive, tem um filho do outro relacionamento, e ela, um novo companheiro. Trouxeram o advogado, uma testemunha e, em algumas horas, o processo estava concluído."
Com relação aos custos, é preciso arcar com as despesas dos cartórios e dos advogados. Em juízo, o valor mínimo do divórcio é de R$ 1.042,00 em São Paulo e a recomendação da OAB é de que os advogados cobrem o mesmo valor nas separações em cartório. O preço cobrado pelos cartórios, varia. Se o casal não tem patrimônio, cobra-se R$ 218,50. Esse preço pode subir para R$ 436,00 se o casal preferir que o tabelião vá ao escritório, casa ou outro local. Quem comprovar que não pode pagar pode ter acesso gratuito ao serviço.
Concluindo, para Maria Berenice Dias, desembargadora e especialista em Direito de Família, a Lei do Divórcio oxigenou as relações femininas e pôs fim às marginalizações e estigmas impostos à mulher pelo antigo desquite. "Antes, os casais permaneciam juntos por contingência social. Hoje, estamos vivendo em um novo mundo, que não mais comporta a visão idealizada da família. Foi concedido, a homens e mulheres, o direito de serem felizes, independentemente dos vínculos que venham estabelecer."

Fonte:http://www.estadao.com.br



terça-feira, 7 de abril de 2015

Paulista de 68 anos realiza cirurgia de mudança de sexo

Andréia Ferraresi é a paciente mais velha a mudar de sexo via cirurgia. Em SP, um procedimento do tipo é realizado por mês.

A data da alta hospitalar foi emblemática para ela: 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Andréia Ferraresi deixou o Hospital das Clínicas em São Paulo, entrou no ônibus rumo a casa na zona norte paulistana, fechando um ciclo que começou exatamente no dia em que nasceu. Estava pronta para receber as homenagens em referência às conquistas femininas. Pela primeira vez iria agradecer aos parabéns e às flores entregues nos semáforos como “uma mulher de fato”.
“Precisei viver 68 anos para me sentir completa”, diz ela.
A certidão que aponta 1944 como ano de nascimento só há 12 meses – após autorização judicial – passou a estampar o nome Andréia Ferraresi e a palavra “feminino” no espaço destinado ao sexo. Até então, exibia a grafia Orlando e o gênero masculino.
“Nasci presa em um corpo de homem”, define.
Primeiro, a adequação foi no registro civil. Há quase 30 dias, veio a solução cirúrgica, custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Andréia deitou na maca hospitalar para deixar para trás os rótulos de “menino estranho”, “mariquinha”, “bicha louca” e “mulher diferente” que a acompanharam por toda a vida. Levantou dela, quatro horas depois, para carregar o título de transexual mais velha do Brasil a ser submetida a uma cirurgia de mudança de sexo.
“Desta referência, sim, eu tenho o maior orgulho”, diz ela, passando as mãos nos cabelos tingidos com mexas loiras – a tática é para cobrir a cabeleira “todinha branca” – e retocando o brilho nos lábios e a sombra pastel nas pálpebras.
“Estou tão plena que me sinto Brigitte Bardot nos tempos áureos”, brinca, ao citar a sua musa de sempre, desde os tempos em que era Orlando.
“Posso ter quase 70 anos, mas o corpo e a alma são de uma jovem de 30. Minha vida começa agora. Agora que sou mulher dos pés à cabeça.”

Para ler a matéria completa, clique aquihttp://saude.ig.com.br/bemestar/so-aos-68-anos-me-sinto-uma-mulher-completa/n1597732498408.html

Fonte: http://www.ig.com.br

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Transexual é beneficiada pela Lei Maria da Penha em MT


Vítima relatou ter sofrido violência doméstica por três anos (Foto: Reprodução/ TVCA)

Uma transexual que pediu para não ter o nome divulgado foi beneficiada pela Lei Maria da Penha após sofrer agressões do ex-companheiro, em Cuiabá. Recentemente, ela conseguiu na Justiça uma medida protetiva para evitar que o agressor, com quem se relacionou por três anos, se aproxime dela. Essa é a primeira vez que uma transexual é amparada por essa lei no estado. No Brasil, outro caso foi registrado em Minas Gerais.
A vítima relatou que, desde o início, o relacionamento foi conturbado. No primeiro mês que eles estavam morando juntos, o então companheiro já a agrediu. Ela também era humilhada. Contou que, certa vez, ele jogou as roupas e objetos pessoais dela para fora da casa.
''No primeiro mês, ele começou a me agredir. Me dava pancadas, me batia, chegou até a jogar minhas coisas do quarto onde a gente morava para fora”, disse. Agora, como conseguiu essa medida que impede a aproximação do ex-marido, a transexual contou que não pretende mais ter nenhum contato com o agressor. “O que mais quero é que ele suma definitivamente da minha vida. E eu continuo sobrevivendo sozinha, como sempre sobrevivi”, pontuou.
Para a presidente do Conselho Estadual de Proteção da Mulher, Rosana Leite Antunes, a decisão foi cabível, já que a violência doméstica era sofrida da mesma forma. “Para nós, ela [decisão] é inédita porque amparou uma transexual. Se no momento, ela estava sofrendo violência doméstica, nada mais justo que lhe ser aplicada a Lei Maria da Penha”, afirmou.
Há casos em que a violência doméstica relacionadas a casais do mesmo sexo têm fins trágicos, como ocorreu com um rapaz de 18 anos, morto em 2013. A mãe da vítima contou que o ex-marido do filho não aceitou o fim do relacionamento e matou a vítima. O autor do crime foi preso, mas fez ameaças. “Ele disse que iria voltar e que ia matar todo mundo que estava na casa”, disse a mulher, que também pediu para não ter o nome divulgado.
Só no ano passado foram registradas quase 30 mil ocorrências envolvendo violência doméstica com mulheres acima de 17 anos. Desde 2006, as vítimas de violência doméstica são amparadas pela Lei Maria da Penha, que também já ajudou a proteger os homens.



Fonte: http://www.g1.globo.com/mato-grosso


A igualdade vence aos preconceitos

Uma onda de protestos nos Estados Unidos provocou na semana passada a retificação de duas leis que ameaçavam o avanço dos direitos homossexuais em nome da liberdade religiosa. As manifestações, boicotes e pronunciamentos das maiores empresas do país, quase de forma uníssona, conseguiram que os Estados de Indiana e Arkansas dessem um passo atrás para evitar que as leis fossem utilizadas para discriminar os gays. Mas as legislações jogaram luz sobre a tentativa do setor mais conservador da sociedade norte-americana de impedir a consolidação de direitos que muitos já consideram inevitáveis.
O cabo de guerra disputado nos últimos dias por conservadores e a comunidade homossexual é o mesmo que foi travado nas primeiras regulamentações do direito ao aborto ou do acesso aos contraceptivos. A sociedade norte-americana, impulsionada por uma mudança demográfica que forma uma nação mais diversa e mais progressista, apoia amplamente o direito à igualdade dos homossexuais. No outro extremo, a liberdade religiosa se converte no último recurso legal dos conservadores contra esse avanço.
Os principais líderes republicanos defenderam a lei de Indiana, copiada depois por Arkansas. O republicano Jeb Bush, ex-governador da Flórida e provável pré-candidato à Casa Branca, afirmou que Indiana fez “o correto” e que a lei “não é discriminatória”. Seu companheiro de partido e pré-candidato à Presidência em 2016 Ted Cruz comemorou que a lei tenha dado voz “a milhões de bravos conservadores”.
A estratégia republicana é uma resposta aos últimos avanços dos direitos dos homossexuais, de acordo com Sally Steenland, do Center for American Progress. A Suprema Corte vai estudar nesse semestre se os homossexuais têm direito a se casar. Seis de cada 10 eleitores apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e sete de cada 10 moram em um dos 37 Estados onde o matrimônio homossexual é reconhecido. Para 72%, o casamento igualitário é inevitável, segundo dados do Centro Pew. Os números motivaram uma manchete do jornal conservador The Indianapolis Star essa semana. Eram três palavras em branco sobre o preto para cobrar dos parlamentares a mudança da lei: “Corrijam isso já”.
Os republicanos se amparam em uma lei sancionada por Bill Clinton em 1993, mas o país mudou profundamente desde então. Dezenas de organizações civis reagiram contra Indiana, assim como as grandes empresas como Apple, Walmart, General Eletric e Yelp e governadores democratas que anunciaram boicotes contra Indiana.
Os Estados Unidos buscam o limite em que a liberdade religiosa e os direitos das minorias possam conviver. Os assuntos sociais separam os republicanos dos democratas, ainda que, no caso de Indiana, os conservadores tenham um conflito interno, obrigados a satisfazer os eleitores mais velhos sem comprometer o seu eleitorado mais jovem futuro nem a ala empresarial do partido.
Nesse primeiro choque cultural do ano, venceu o direito à igualdade dos homossexuais. Os protestos realizados durante toda a semana obrigaram Indiana a modificar o texto da lei para proibir que se negue atendimento a qualquer pessoa nos comércios. “A mensagem é clara. Nossos negócios estão abertos. Damos as boas-vindas a todo mundo. Não discriminamos ninguém”, afirmou o porta-voz da Assembleia do Estado, Brian Bosma.
Cientes do risco de perder eleitores por essas posições mais conservadoras, o grupo de jovens Log Cabin Republicans comemorou as mudanças na legislação. “Era ampla e vaga demais e convidava todo mundo a acreditar que o Estado te defenderia se você fosse acusado de discriminação”, disse seu diretor, Gregory Angelo. “Agora sim está claro que a liberdade religiosa e os direitos da comunidade LGBT podem conviver”.
O primeiro sinal de desconexão entre os políticos mais conservadores e o restante da sociedade aconteceu no domingo passado. Um jornalista perguntou ao governador de Indiana, Mike Pence, se sua nova lei dava permissão para discriminar. Sua reação foi uma gagueira de vários dias. Na quinta-feira, Pence atribuiu a firme reação da população a uma “confusão” criada pelos veículos de comunicação.
"A lei representa uma limitação ao que o Governo Federal pode dizer e o que não pode”, afirma Montserrat Alvarado, diretora de operações da fundação Becket Fund, especializada na interseção entre liberdade religiosa e os direitos das minorias.
A rejeição e a reação quase coordenada de dezenas de organizações revelam uma mudança de mentalidade impensável há apenas cinco anos. “Ao ter que falar de discriminação, eles perderam a iniciativa nesse debate”, afirma Sally Steenland. A especialista define a reação da sociedade e dos líderes empresariais como uma “bofetada” nos republicanos. “O que os surpreendeu foi a força e a altura que alcançou a rejeição em todo o país”.
A aprovação das leis em Indiana e Arkansas funcionou como um sinal vermelho para os republicanos. O governador de Indiana, Mike Pence, levou apenas uma semana para propor uma emenda para impedir a discriminação por motivos de orientação sexual. Seu homólogo de Arkansas, que havia copiado o texto em um projeto similar, anunciou que não vai sancionar a lei. E na Georgia, o próximo Estado da lista, a votação foi cancelada.
Para a União Americana pelos Direitos Civis, a volta atrás “representa uma mudança drástica” na forma como os EUA tratam a discriminação em nome da religião. “Indiana cometeu um erro terrível e perigoso e enfrentou uma condenação que vai prejudicar sua reputação e sua economia”. Esse foi o mesmo argumento de cinco ex-prefeitos de Indianápolis, que exigiram em uma carta a correção imediata da lei para evitar “consequências indesejadas”.
A avalanche de protestos, e a conseguinte retificação, pode ter ocorrido a tempo de evitar que essa polêmicas e torne um problema para a campanha presidencial republicana. O partido conservador enfrenta o desafio de convencer um eleitorado cada vez mais jovem, mais diverso e mais aberto aos avanços sociais do que nunca antes nos EUA.

Fontehttp://www.brasil.elpais.com/